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Mas, quando tento  tocar as estrelas como se estivessem estampadas na face interna da abóboda do meu crânio, tal como num planetário claustrofóbico de uma masmorra, nada parece valer a pena, e tenho medo; quando as  imagens do mar, dos peixes, das aves, de filhos e netos, parecem ser apenas ilusões captadas em minha retina e confinadas ao meu cerebelo, tudo se apequena sem sentido, e tenho medo; quando as lembranças do que vivi e sei são traduzidas como meras reverberações químicas, corridas em  circuitos neurais, tal qual memória de chip de computador, pressinto a demência, e tenho medo; quando meus pensamentos são somente atividade  da substância cinzenta e só encontram forma de expressão por meio dos símbolos da linguagem, pressinto a eterna impossibilidade de comunicar-me comigo e com o que vai além de mim, e tenho medo; quando penso saber que aninho em mim apenas fugazmente todas as hierarquias possíveis neste vasto mundo, sinto-me tomado apenas pela devastação que sobrevirá, e então me desespero. Nesse caso, impossível deixar de ver o subsolo do dosta como um farol do saber. E, assim, a busca pode prosseguir.

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4 Comentários

  1. Este trecho valeu a pena ler várias vezes….
    me coloquei no lugar, me senti tentando tocar as estrelas..
    continue fomentando sua criatividade que nos permite viajar!
    abraços

  2. Escondo-me a suas frases, que há longos meses me consolam como refúgio do tédio que sinto . Bom saber…. Contínuo crescimento da noção da existência humana. Obrigada por fazeres parte desta nossa geração.