Tenhamos coragem de romper com nossa arrogância fundamental,

Que atribui aos projetos humanos relevância que nunca demonstraram,

Com suas ideias e sagas incapazes de aconchegar o espírito e a alma.

Dobremos nossos joelhos diante do mistério e sigamos juntos ao seu encontro,

Garantindo a justiça e a paz indispensáveis para que façamos caminhos.

 

Começemos educando nossas crianças.

Dizendo a elas que existimos para sermos mais iguais do que desiguais,

Misericordiosos uns com os outros e com todos os diferentes,

Inclusive as pedras, as árvores e os animais.

E que aprendam também filosofia, ciências e artes, e se dediquem à arte de amar.

 

Sejamos cuidadosos com qualquer espaço onde a solidariedade floresça;

Aonde pais, amigos e professores, exponham suas vidas como lições arrebatadoras.

Sejamos justos, garantindo a todos um pedaço nesses espaços,

Sobretudo aos pequeninos que herdam responsabilidades desonestas:

Mudar um mundo que caminha para o desastre a um tempo em que tempo não haverá.

 

Neguemos a ilusão da vida opulenta com aspiração ao consumo sem limites.

Não ao ideal de acúmulo sem fim de dinheiro, poderes e prazeres,

Toscas distrações ao fim que de todos se aproxima,

Miragens em cujo altar sacrificam-se a luta pela equidade

E pela manutenção da dignidade humana; tudo o que poderíamos ter.

 

Lutemos sim pelo acesso aos direitos individuais e coletivos

Duramente trazidos à tona durante séculos de aprendizagem banhada em sangue,

Sabedores de que já produzimos mais do que o suficiente para todos,

Mas que marchamos insensatamente  para a tragédia final,

Incapazes de garantir o indispensável a cada um, em parceria com a Mãe Terra.

 

O  mundo já sabe alguma coisa sobre como fazer o que é preciso.

Ciência e filosofia apontam para a necessidade de fazer história todos os dias,

Não obstante o desejo dos milagres nunca verificados que a tudo resolveriam.

Nós individuos, famílias e instituições,  não fazemos tudo o que saberíamos fazer,

E ruiremos sobre a inconsistência da história que fazemos dia após dia.

 

Se abrissemos  os olhos não teríamos razões para ser otimistas.

Quanto tempo o mundo dos homens aguentará?

O suficiente para surpreender àqueles  que só a batalha final fará enxergar.

O suficiente para mais a qualquer preço àqueles que enxergam mas não querem ver.

Não importa, àqueles que todos os dias agem com justiça e mantém a dignidade.

 

É o que temos?

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