Esse tipo de viagem de muitos meses para outro país, como essa que estamos fazendo,  é de muito aprendizado.

Nos primeiros meses, aeroportos e seus contratempos são apenas pequenos “bostáculos” que valem a pena. A língua estranha que soa por todos os lados é linda, e embora pareça que não adiantaram nada todos aqueles meses de estudo, pedir o café certo no bar é uma  felicidade, embora ainda não se tenha a menor ideia do que possa ser a tortura dos dialetos. Entrar e sair das praças de pedágio escolhendo a guarita adequada e os buracos certos para por o bilhete, e o dinheiro, e retirar o troco, é uma vitória em campo tenso (uma fila de italianos atrás de você). O fai da te dos postos de combustível com sua multiplicidade de métodos é um desafio para brasileiro acostumado até com ascensorista. Ir ao banheiro e ter que encontrar os botões da descarga e da água com todas suas criatividades (um dia vou tentar relacionar quantos são e como funcionam) é, às vezes, desistir de lavar as mãos. As reservas de hotéir e restaurantes e as armadilhas de falar uma lingua estranha por telefone podem criar boas surpresas. O saque de dinheiro no terminal bancário e a garimpagem da opção correta para ter êxito pode custar a troca de muitas mensagens com seu gerente de banco. O aluguel do carro, e da casa, a contratação de um plano de internet (e a necessária ajuda dos amigos para dar um jeitinho), com espera de sessenta dias para a entrega do modem, o plano de negócios da TIM que poderia chamar-se “Me rouba já que não posso fazer nada”…muito muito aprendizado. As dezenas de idas à prefeitura (pagando antes as taxas no correio), ao anagrafe (pagando antes as taxas no correio) e à questura (pagando antes as taxas no correio), para obter o permesso de soggiorno, poderão ser infrutíferas mesmo depois de quase um ano.  As diferenças entre o GPS e as placas de estrada e os êrros nas saídas das rótulas mais numerosas do mundo… O registro dos dias que não poderá estacionar naquela rua porque irão lavá-la, e a multa porque anotou os dias errados e, portanto, estacionou no dia errado… A procura insana do lugar para pagar a multa… A procura insana para estacionar em Roma e Firenze… A procura insana dos B&B em Roma e Firenze com um GPS confuso com ruas que não chegam lá…Todos os nomes de todas as carnes diferentes no super-mercado… Verduras que você nunca viu e tem vontade de comprar mas não sabe como prepará-las… Africanos sem perspectiva pedindo esmolas em todas as portas de todos os super-mercados… Uma eternidade procurando feijão num deles… Outra tentando explicar o que é um parafuso para poder perguntar onde raios estariam…

Tudo é muito legal, previne Alzheimer, fornece piadinhas para escrever essas crônicas; e também enche o saco (o meu pelo menos), de tanto aprender pequenas mas indispensáveis coisas todos os dias. De fato, o indispensável pode ser cansativo.

 

 

 

 

 

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4 Comentários

  1. Hahahha Homero! Muito bom.. vou esperar o II. O que para vc “enche o saco” para nos leitores é uma diversão imaginar as cenas. Beijos com saudades!