Difícil falar de amor. No caso da vida privada porque, conforme Celentano  em sua canção, a emoção não deixa a voz sair – como no momento de declaração para o primeiro grande amor.  No caso da poesia porque as definitivas já foram escritas e tudo que vem depois delas parece coisa de amador, quando não de babaca. No caso de Romeu e Julieta porque a história de amor mais famosa do mundo é tratada quase sempre como um mero clichê comercial.

Mas Romeu e Julieta merecem o esforço de um babaca tentando falar de amor.

Na casa de Julieta, em Verona, os turistas podem escrever cartas para ela, que são respondidas, se bem que, infelizmente, não por Shakespeare. Mas também, convenhamos, seria excesso de atenção e honra avassaladora. No caso desse babaca, nem resposta haverá, pois não tive coragem de mandar a carta. Fica então só  entre nós.

Óh Julieta, meu Inominável Amor!

As fagulhas que explodem dos meus olhos magnetizados por ti, repetem

o que eles nunca se cansarão de expressar: antes de ti jamais vi a beleza!

 

Em  ti  eles não repousam, não sossegam: são duas bailarinas que dançam tresloucadas, sob luzes de seus inebriantes perfumes, sobre o chão de sua aveludada pele.

 

Meu coração bate como  tímpanos de uma orquestra desritmada, e os acordes dos violinos das minhas juras e dos celos dos meus desejos, pulam atrás descompassados.

 

Tu me desconstrói  e não quero me recompor, outro eu quero ser, com pés alados para ir aonde fores, lábios de seda para tocar teus seios, mãos delicadas para cuidar de ti.

 

E à fortaleza de tão estupendo amor não haverá clava que possa ameaçar, intriga que possa enfraquecer, mentira que possa dividir, anjo mau que possa sobrevoar.

 

Em nosso Amor não cabem unidades de medida,  não se toma o tempo pois é todo num instante, não se mede a dimensão pois pulsa além da estrela mais distante.

 

E morres,  e porisso morro também, mas não será como até aqui, pois todo o mundo saberá que é possível um Amor Eterno,  como o que vives por mim e que eu vivo por ti.

 

Te amo para sempre Julieta!

 

Do seu eterno Romeu.

 

 

*Eu não sei falar de amor, a emoção…não há voz.

 

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