Bordado N'Água

Sapiência

26/09/2019

E prosseguiu Inclusivo: Um abismo divide o mundo entre quem tem muito e quem tem muito pouco. Bilhões de pessoas sentem mais do que o ideal de acumulação do capitalismo, a impossibilidade de sobrevivência a partir da qual se pode ser livre e (des) envolver. Para lutar contra a desigualdade seria preciso tratar com cuidado especial quem mais necessita. Ao estado caberia defender a equidade promovendo oportunidades e distribuição equânime de bens.

A história das nações, não pode deixar à margem as constantes exclusões e genocídios; precisam ser lemb...

26/09/2019

Então o sino de bronze tocou pela terceira vez. Inseparável  levantou-se,  e do lugar que ocupava no coro da igreja, dirigindo-se à Inclusivo, deu início a um cantochão que lhe interrogava sobre o que deveriam fazer os homens e mulheres para desenvolverem justiça e compaixão uns para com os outros e a tudo que existe. Postando-se de frente para a plateia, Inclusivo entoou sua resposta:

A compaixão nos põe em contato com a intimidade existencial uns dos outros; faz-nos cúmplices nas imperfeições, coloca-nos na perspectiva do mútuo perdão. A co...

26/09/2019

E prosseguiu Inseparável: Em graus variáveis, as relações interpessoais são dissimétricas e verifica-se a escravização no trabalho e variadas formas de violência ligadas às questões de gênero, etnias, religiões, infância e velhice. Caberia  ao Estado promover o desenvolvimento da consciência que rejeita tais opressões, zelar pela aplicação das leis que as combatem e garantir o debate para evoluir os contextos culturais a elas permissivos.

Existem tradições boas e más. Os limites entre bem e mal não estão claramente demarcados. Excetuando-se aquilo...

16/08/2019

Então o sino de bronze tocou pela segunda vez. Indivisível  levantou-se,  e do lugar que ocupava no coro da igreja, dirigindo-se à Inseparável, deu início a um cantochão que lhe interrogava sobre o que deveriam fazer os homens e mulheres para desenvolver e testemunhar o querer bem uns aos outros e a tudo que existe. Postando-se de frente para a platéia, Inseparável entoou sua resposta:

O amor é um dom e uma arte. Como dom deve ser acalentado, como arte deve ser aprendido. Estamos de acordo a aprender muitas coisas sem questionamentos. Mas, co...

02/08/2019

E prosseguiu Indivisível: O Estado é uma criação dos homens e, para o avanço civilizatório, não pode suprimir liberdades. A democracia é serviçal das liberdades e só pode ser submetida a constrangimentos em nome de um bem maior, pelas próprias liberdades em ação. Sempre que em nome de um fim,suprimiram-se liberdades, se obteve a escalada das tiranias de diferentes cores. Ao Estado caberia preservar a democracia como valor maior.

A humanidade é uma só, não obstante as diferenças. A Terra é a morada de todos,mas na história, por razões injustas, as...

18/07/2019

Então o sino de bronze tocou pela primeira  vez. Inefável  levantou-se,  e do lugar que ocupava no coro da igreja, dirigindo-se à Indivisível, deu início a um cantochão que lhe interrogava sobre o que deveriam fazer os homens e mulheres para desenvolverem consciência e confiança uns para com os outros e a tudo que existe. Postando-se de frente para a platéia, Indivisível entoou sua resposta:

Em cada pessoa arde a fagulha capaz de incendiar todas as possibilidades de realização da vida. Fazê-la brilhar é potencial da natureza humana, que...

01/07/2019

Antes

O Chico está doente. Muito doente. Dou pra ele sete remédios  três vezes por dia, o que poderia ser conta de mentiroso, mas não é. Falei para ele subir no sofá, coisa que até um tempo atrás ele só fazia quando disposto a confrontar as regras humanas; mas agora, ele está muito doente... as regras ficaram inúteis. Ele subiu, eu deitei sua cabeça no meu barrigão, ele rosnou,  pois acho que não gosta da minha falta de forma, mas aquiesceu, e eu  disse: Chico, não se preocupe. Você tem dignidade e se soubesse saberia que é melhor que eu. Acho que...

01/07/2019

No Brasil, por todos os lados, embora um deles já tenha enchido o saco com uma estória de perseguição, figuras que galgaram posições de notória importância empresarial e política estão vindo abaixo como detestáveis ladrões, violentadores de sonhos, liberdades e reputações.

Acho que se trata de incompetência existencial.

Qualquer um pode pensar o que quiser, ou o que puder, mas quando, como fazem os grandes incompetentes, tem absoluta convicção do que pensam e de seus interesses pessoais,  cavalgam sobre a fraqueza de caráter e deslizam para a falên...

30/06/2019

Mãe por setenta e seis anos. Uma mulher que viveu um século. Que teve seis filhos, quatorze netos, doze bisnetos. Foi viúva por trinta e seis anos, morou com uma filha por quase três décadas, dez anos numa casa para idosos, dois anos com perda intelectual progressiva, quatro meses quase totalmente presa à cama.

É claro que nesse tempo doenças e quebraduras, explosões assustadoras de obscuras energias psíquicas, internações hospitalares; tudo até que pouco do ponto de vista da quantidade, mas sempre muito para ser vivenciado por familiares, porque...

29/06/2019

Cidades, como livros, realizam-se nas intersecções de autores, narrativas e leitores. Para que adquiram substância não pode faltar nenhum. Manifestam também um caráter, uma personalidade e um comportamento, determinação do que nelas se pode encontrar. Se for assim, pode existir a cidade de cada um, com suas diferenças e novidades a cada leitura. Fui a Londres e a minha primeira leitura me revelou um mundo fantástico. E hostil.

Coisas boas e ruins. No caso, todas elas, sem maniqueísmo, engendradas na pirataria de Sir Francis Drake, certificada e pr...

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