Bordado N'Água

2. Sei e não sei, quero e não quero

January 20, 2019

Caminho pensando em arandu  porã amundaba. É um moralista. Conto com sua ajuda, porque sei e não sei se quero ou não quero, do que se trata,  onde vi, como me entrou, quem falou, onde li. Desconfio que estou impregnado, como de endro os pepinos azedos em conserva, de muitas dessas coisas de que às vezes gosto porque aprendi  e constato vivas em mim, e noutras não, embora saiba que vivem mesmo assim, sem constatação (às vezes, as rimas e ecos são...). São, embaixo da minha pele e das minhas ideias, aromas suaves, perfume  de mulher; ou  fedores nauseabundos, cheiro de saco e cú: absolutismo abstracionismo agnosticismo, anarquismo ambientalismo animismo, ascetismo ateísmo autoritarismo, banditismo budismo capitalismo, catolicismo ceticismo cinismo, clientelismo comunismo cafajestismo, confucionismo construtivismo cristianismo, carreirismo demagogismo deismo, determinismo direitismo dualismo, ecletismo egocentrismo empirismo, esoterismo esquerdismo espiritismo, estoicismo epicurismo evangelismo, evolucionismo fanatismo farisaísmo, fascismo feminismo futurismo, gnosticismo hermetismo hinduísmo, humanismo idealismo ideologismo, individualismo imediatismo infantilismo, islamismo judaísmo liberalismo, linguismo machismo maniqueísmo, marxismo materialismo mecanicismo, milenarismo militarismo modernismo, monismo narcisismo ocultismo, panteísmo parlamentarismo pietismo, pluralismo politeísmo positivismo, pragmatismo protestantismo quinta-colunismo, racionalismo realismo relativismo, romantismo sectarismo simbolismo,  sentimentalismo socialismo superficialismo, surrealismo tecnologismo totalitarismo, transexualismo unitarismo universalismo, vegetarianismo xenofobismo zoroastrismo... Se todas esses deveras fossem, talvez desejasse misturar  um pouquinho de cada uma de suas essências para ser uma espécie de média, embora corresse o risco de ser perfume sem cheiro, pepino sem endro, corpo sem saco e sem cú. arandu  porã amundaba, é um moralista, e até o rótulo, para as maiorias, já seria demais. Mas eu sou dos que sei que não foi à toa que ele foi buscar seu lema no poeta conterrâneo:“Belo belo / Mas basta de lero-lero / Vida noves fora zero.” E lá sigo eu ao seu encontro.

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