Bordado N'Água

11. Éticas do sofrimento?

January 26, 2019

Meu amigo pés na terra me disse um dia que o bicho homem não é nenhuma gracinha, nem projeto de anjinho; faz coisas que nem animal  faz. Disse que quando ele faz maldade sozinho, ruindade do coração, já é inacreditável: judia da alma, esmaga, tortura, aterroriza, arranca, estripa, separa em pedaços. E faz isso com mulher, amante, pai, filho, família inteira.

Ele ouviu falar do monstro dos andes condenado por matar dezenas de mulheres, e confessava, se gabando, que eram muitas mais, centenas. Hehe. Disse também que já viu filme e programa de televisão que conta sobre muita guerra, e viu que a história humana é matança sem fim. Praticada por um só, a maldade já pode ser inacreditável, quando se junta em grupo, então, não dá pra imaginar o que virá, mas o que vem, aquilo que a gente fica sabendo, é um negócio incalculável. Mas claro que tem também gente boa. O seu valtinho pescador do superaguí, por exemplo, é um santo homem; nunca viu tanta bondade. Disse que ele mesmo - o meu amigo, vejam só -, não é lá flor que se cheire, mas que perto do que já soube, com certeza, tem o céu garantido. E eu comigo, andando nessa estrada graciosa, voltei a pensar quanto ainda teremos que Caminhar. Para onde estamos indo? Quem poderia garantir que não estamos deixando que nossa maldade se aperfeiçoe ao ponto de suas consequências se tornarem irreversíveis, não obstante nossos códigos, regras, instituições civilizatórias, os esforços de aristóteles, jesus...? Não seria o extermínio do próprio homem o projeto final em curso? E mesmo nesse caso talvez não houvesse nada a estranhar, pelo menos para aqueles que convivem com a dúvida a respeito do homem como ser superior a tudo e todos que existem. A tal autoproclamada criatura à semelhança de deus, verdade por ela própria reverberada milênios afora, a tergiversar sobre suas ações, e omissões,  com frequência desrespeitosas, abusivas, invasivas, destrutivas,  devastadoras, exterminadoras, insaciáveis;  possíveis na gigantesca escala e nas espúrias intenções, aí sim, só a partir de suas capacidades derivadas da inteligência, entre elas sobretudo, a da ação coletiva coordenada, que se alimenta das sementes plantadas em seu coração presumivelmente no inferno - seja lá o que isso signifique - mas desde o começo de sua existência capazes de trazerem lúcifer para o centro do palco, gerando os efeitos que tão bem conheceram e conhecem as maiorias deformadas pelos seus inconfiáveis pares; o homem  que soube e sabe o que tal coisa é e no que resulta, o que jamais foi o bastante para fazer dele e suas trupes os que cuidam mas, ao contrário, a maior fonte de sofrimentos de tudo que  existe, ao mesmo tempo em que prega, sempre mais sofisticados caminhos retos e direitos mil.  Sim ou não? Ni (alfa), i (bravo), lis (Charlie) e (mo) delta!

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