Bordado N'Água

29. Yvy Marãey, tempo de fazer o que dissemos que faríamos (3)

May 3, 2019

No que me diz respeito eu pergunto: para que existo como cidadão? Me  ocupo em mudar alguma coisa? O que pretendo mudar? Que visão tenho do mundo a cuja construção estaria  disposto? A história do país e da nação à qual pertenço deveria determinar a maneira como entendo as funções do Estado? Há um processo histórico de avanços civilizatórios possíveis para nosso país, estado, município, não linear nem garantido, como apontam nossas experiências e as dos outros povos mundo afora? O Estado pode pouco, mas pode o tempo todo defender a democracia como valor (desse lado do mundo pelo menos), a equidade como ideal coletivo e a probidade como obrigação? Seria essa a essência de seu papel transformador, no qual muitos ainda insistem em acreditar? E que não prescinde da vigilância contínua de cada cidadão? Que governante sou eu? Para que fui eleito? O que tenho a  propor? A resposta ao “o que faremos” é determinada pela visão de mundo, relativa às concepções ideológicas? Uma extravagância, diria nosso guru, é excluir a ideologia, a outra, é incluir só a idelogia. Definir o que fazer é o espaço para o exercício  da prática das ideias de partido (mas o que seria isso?), das manifestações de estilos de liderança, dos dons pessoais no exercício da política e do ato de governar. Da   consistência de propósitos e da capacidade para executá-los dependerá, em última instância, a governabilidade. Mas o “o que fazer”  incluiria alguma relatividade quanto à proximidade aos ideais da democracia, da equidade e da probidade?  Por que haveria relativismo quanto às cláusulas pétreas de defesa das liberdades, de crença na equidade e da ilicitude da corrupção? Que gestor sou eu? Como exerço a liderança a mim  confiada? Como defino meus métodos? Sou capaz de fazer acontecer? Sem ação eficaz valores e transformação são apenas intenções. Mesmo que um plano não seja brilhante uma execução exemplar é capaz de fazê-lo reluzir. A maior responsabilidade é executar, num nível muitíssimo superior ao de sempre, protagonizando erros inevitáveis e  correções indispensáveis? Pensamos que o bom executivo público (mas o que seria isso?) seja respeitado pelo exemplo,  não apenas temido por seus poderes e  estratagemas. Seríamos capazes de confiar na capacidade de todos em aprimorar ideias? De nos comprometer em fazer acontecer o que reforça as liberdades, promove a equidade e combate a corrupção? Pois é Guataha, na construção dessa Terra sem Males (mas o que seria isso?), acreditamos que tudo começa e termina com as perguntas certas, porque é preciso enxergar os peixes que voam e as aves que mergulham. 

 

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