Bordado N'Água

31. Yvy Marãey, tempo de fazer o que dissemos que faríamos (5)

May 17, 2019

Nós de Yvy Marãey parecemos crer na magia das soluções legalistas,  uma espécie de reparação maníaca através da regra.  Elas costumam brotar como resposta a situações que se forjam em décadas de descaso e se tornam finalmente intoleráveis causando comoção social. .....em estado de mania, reparadores psicóticos de problemas que, de fato, não recebem reparação nenhuma além das lufadas legiferantes. O que dizer do desengavetamento de projetos de leis redundantes para garantir que se publiquem  informações que são públicas, para acabar com a corrupção que todas as leis consideram crime, para proteção e defesa do usuário dos serviços públicos que existem para atendê-los, para garantir que servidores públicos sirvam como seria sua missão? Parecem surtos maníacos de reparação que nada corrigirão se, no dia a dia, tempo algum for dedicado às rosas das leis já existentes, reiteradamente mal cumpridas.  Pensamos, Guataha, que é no universo nada desprezível das micropráticas que, da necessidade e da experiência, são gestados sistemas de ideias aplicadas que demonstram alcance no tempo histórico pela substantividade que carregam. E deles são oriundas algumas das boas contribuições para o processo de desenvolvimento das ciências horizontais de governo, quando se tem a capacidade de despir-se do preconceito. Mas que vemos, em escala industrial, são variações e adjetivações sempre sobre as mesmas escassas quebras de paradigmas,  e estas são engendradas no cotidiano dos serviços, quando os hemiciclos da análise e da síntese se juntam - em nome da superação de dificuldades e da realização de sonhos - em conhecimento prático transformador e desafios às academias para que avancem. É principalmente disso que resultam os macrossistemas de regulação, as novas modalidades institucionais e as organizações exemplares capazes de melhorar a vida das pessoas em sociedade. Claro, Yvy Marãey, precisa de uma ampla reforma política, precisa superar os resquícios do nacional desenvolvimentismo, precisa enterrar de vez a desonestidade na política, precisa de uma real polaridade entre os que propugnam a manutenção do que existe  e os que defendem a superação das desigualdades. Mas precisa também de capacidade de governo, porque a incompetência na condução do Estado não tem preferências pela direita ou esquerda, por intelectuais ou sindicalistas, por bem e maus intencionados, por projetos ousados ou medíocres. Tenhamos coragem de romper com nossa arrogância fundamental que atribui aos nossos projetos  relevância que nunca demonstraram, com suas ideias e sagas incapazes de aconchegar o espírito e a alma. Dobremos nossos joelhos diante do mistério e sigamos juntos ao seu encontro, garantindo a justiça e a paz indispensáveis para que façamos caminhos.

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