Bordado N'Água

37.Yvy Marãey, tempo de fazer o que dissemos que faríamos (11)

June 14, 2019

vA incapacidade de governar, aqui em Yvy Marãey, tem outro aspecto significativo, Guataha: governo desinformado, vivendo de avaliações mal feitas ou inexistentes, orientado exclusivamente por pesquisas de opinião que parecem cada vez mais psicóticas, pois nos atribuem índices estratosféricos de aprovação enquanto vamos entrando em estado falimentar. Monitorar as ações do governo de forma a detectar inevitáveis erros e corrigi-los em tempo hábil, e formar juízos confiáveis de resultados globais, não é adereço de atividade burocrática e nem exercício de discricionariedade administrativa a serviço de bondades. É muito mais também, do que a decantada transparência, nunca como antes tão discursada e, apesar das tantas leis, portas abertas e portais, persistentemente opaca, conforme a índole que nos acompanha. Seria a tal prestação de contas, Guataha, o coração de qualquer atividade pública, e também privada, cada vez mais. Porque atende a necessidade de manter o governo conectado aos reais anseios da sociedade, possibilitando que defina e sustente um padrão de direcionalidade compatível com o prosseguimento da ordem democrática e com o Estado de direito e, quem sabe, até com o sucesso nas próximas eleições; porque determina o padrão de responsabilidade da máquina administrativa pública, que condiciona decisivamente o desenvolvimento da capacidade de governo, da qual depende a sua eficácia, fator essencial para a proteção da democracia. A prestação de contas por desempenho eleva a responsabilidade da gestão pública e funciona como supressor imunológico do sistema conservador que rejeita toda a inovação. Estar bem informado e informar com correção, avaliar e ser avaliado, não é um componente nosso de estilo, mas condição substantiva do bom governo, não é obrigação legal, é necessidade para governabilidade. Prestação de contas por desempenho, levada a efeito com seriedade, é a autocrítica que o governo pode fazer para o seu bem e o da democracia. Prestar contas significa reconhecer em que medida estão sendo cumpridos os compromissos de governo traduzidos em objetivos e metas; saber se as decisões tomadas orientam um enfrentamento eficaz dos problemas que concentram a atenção da cidadania; compreender as causas principais dos êxitos e fracassos; determinar quem deve corrigir sua direção e sua ação para contrapor-se às falhas detectadas; saber em tempo o que deve ser preservado e o que deve ser mudado. Para valer a pena, a prestação de contas tem que fazer o discurso da verdade, e tem que considerar as todos os interessados em cada questão, incluídos: cidadãos, meios de comunicação, órgãos de regulação, burocracia estatal, intelectuais. É tão chato tudo isso Guataha, mas o que estamos fazendo senão aumentar a velocidade dos nossos deslocamentos rumo ao nada?

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