Bordado N'Água

38. Yvy Marãey, tempo de fazer o que dissemos que faríamos (12)

June 15, 2019

Fazer coisas boas num governo envolve denúncias, afável Guataha. Renúncias  são intrínsecas às grandes reformas. Mas nós, os políticos, com honrosas exceções, demonstramos não aceitar que nossas funções possam ser exercidas com qualquer tipo de renúncia. Narcisistas, em maior ou menor grau, jamais entenderemos a necessidade ou oportunidade de medidas que ameacem nossa permanência no poder, mesmo que seja este o preço de uma grande transformação. Não está no nosso horizonte moral a perspectiva de morrer após fecundar a viúva (trocadilho é inevitável). Oxalá nós, os dirigentes, possamos entender que não deixar piorar, pelo menos, já seria um início de solução, renúncias implicadas. O “pão” que falta em Yvy Marãey Guataha,  poderia referir-se a muitas coisas, mas sobretudo  ao padrão ético superior e à ideia de que a gestão de alto nível não pode prescindir da prestação de contas por desempenho por parte dos governos, entendidos estes não só como o Executivo que, por força de sua  força é, e deve ser, o mais demandado, mas também os outros poderes, necessitados de produzir a mesma autocrítica que a todos se impõe. Insistimos nisso, Guataha. A complexidade dos governos requer avaliações específicas que não podem ser resolvidas só por meios internos de avaliação e controle. Não se pode permitir que, em qualquer instância instância de governo, se duvide da importância fundamental da vigilância externa. A sociedade (organizada e “desorganizada”) e os meios de comunicação são cada vez mais importantes nesse processo. Igualmente  os órgãos de controle, e os do controle do controle, que quase sempre não controlam nada, mas tem a função de apontar as falhas, inclusive as suas que, sanadas, promovam o respeito pelos poderes públicos e a satisfação com os serviços de relevância e com a promoção dos direitos. Mas isso que dizemos, Guataha, talvez não sejam respostas, mas, unicamente, o vislumbre de fartas  sombras e, após ele, o fazer e refazer de sempre as mesmas, mesmas perguntas de sempre.

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