Bordado N'Água

42. Indivisível (II)

August 2, 2019

E prosseguiu Indivisível: O Estado é uma criação dos homens e, para o avanço civilizatório, não pode suprimir liberdades. A democracia é serviçal das liberdades e só pode ser submetida a constrangimentos em nome de um bem maior, pelas próprias liberdades em ação. Sempre que em nome de um fim,suprimiram-se liberdades, se obteve a escalada das tiranias de diferentes cores. Ao Estado caberia preservar a democracia como valor maior.

 

A humanidade é uma só, não obstante as diferenças. A Terra é a morada de todos,mas na história, por razões injustas, as condições de vida e liberdade podem ser muito diferentes, desde a opulência e a total segurança na família, até a inanição e o fim violento na tenra idade. As nações, em quaisquer circunstâncias,poderiam acolher segmentos da humanidade que sofre em condições piores que as suas, resgatando pessoas para a esperança.

 

A espécie humana é o maior fator de extermínios da humanidade. Por onde avança os outros são destruídos. Tem essa capacidade, paradoxalmente, porque é capaz de compartilhar objetivos e cooperar para atingi-los; somos nossa maior ameaça e códigos e leis não são suficientes para controlá-la. A maior tarefa do ser humano seria concentrar suas brutais capacidades no desenvolvimento das atitudes que permitam que o Outro continue vivo.

 

O homem deseja desvendar todos os mistérios,  explicar tudo que sua mente alcance indagar. Por um lado, filosofia e ciência, são grandes tesouros da civilização, por outro, a angústia frente a reificação de tal riqueza é fonte de  distorções no uso do conhecimento e negligência ao anseio de transcendência do homem. Talvez o caminho da paz fosse menos a busca pela compreensão racional do inalcançável e mais a entrega confiante ao Universo.

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