Bordado N'Água

43. Inseparável (I)

Então o sino de bronze tocou pela segunda vez. Indivisível levantou-se, e do lugar que ocupava no coro da igreja, dirigindo-se à Inseparável, deu início a um cantochão que lhe interrogava sobre o que deveriam fazer os homens e mulheres para desenvolver e testemunhar o querer bem uns aos outros e a tudo que existe. Postando-se de frente para a platéia, Inseparável entoou sua resposta:


O amor é um dom e uma arte. Como dom deve ser acalentado, como arte deve ser aprendido. Estamos de acordo a aprender muitas coisas sem questionamentos. Mas, comumente, não cogitamos da possibilidade de aprender também a amar. O amor frequenta o coração dos homens, mas ali convive com outras energias contraditórias. Aprender a amar seria recuperar e desenvolver a capacidade de fazer predominar o amor em tudo na vida.


A capacidade de ver e sentir a vida a partir do lugar do outro nos fortalece para relações de qualidade superior. Sem anulação, com atitude consciente de mudar de posição para de fato compreender e habilitar-se ao dialogo profundo. Vivenciar em família o afeto, celebrar tal vivência valorizando a simbologia do vínculo familiar e promover a necessária incondicionalidade do amor para a perenidade do vínculo seriam impagáveis lições para a vida.


A tensão competitiva nas organizações necessita ser impregnada de contrários para que elas se tornem mais produtivas e seus integrantes, além de resultados, construam sentido e significado para o que realizam. A cocriação e cooperação são os contrários essenciais, seriam capazes de transformar a organização num todo melhor que suas partes e tornar cada uma das pessoas que a integram apta ao convívio fraterno e ao respeito pela alteridade.


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