Bordado N'Água

44. Inseparável (II)

September 26, 2019

E prosseguiu Inseparável: Em graus variáveis, as relações interpessoais são dissimétricas e verifica-se a escravização no trabalho e variadas formas de violência ligadas às questões de gênero, etnias, religiões, infância e velhice. Caberia  ao Estado promover o desenvolvimento da consciência que rejeita tais opressões, zelar pela aplicação das leis que as combatem e garantir o debate para evoluir os contextos culturais a elas permissivos.

Existem tradições boas e más. Os limites entre bem e mal não estão claramente demarcados. Excetuando-se aquilo que atenta contra a integridade do outro as nações deveriam trabalhar pela preservação das tradições de seus povos. No convívio com o simbólico de seus ancestrais, na experiência da comunidade e da festa, os coletivos formariam seu imaginário e inconsciente, epelos séculos aprenderiam a lapidá-los na direção do bem.

A natureza, em todos os seus aspectos, tem uma incrível capacidade de regenerar-se, retornando ao ponto evolutivo a que chegou, e de continuar evoluindo. Além disso, mesmo que seu rumo natural seja alterado pela ação humana, ela se transformará, mas nunca deixará de existir. Ao sapiens, a única atitude capaz de assegurar sua dignidade, seria participar desse jogo como protetor de todas as fecundidades, inclusive a sua própria.

No mundo, os que confiam, demonstram não saber testemunhar as  forças que vão  além do arrebatamento na busca pelo ter, poder e prazer. Os valores culturais predominantes constrangem as emanações da vida mais simples, menos opulenta, mais espiritualizada. Testemunhar o ethos dessas convicções contra-hegemônicas e a entrega confiante ao Universo, talvez fosse uma das maiores forças de transformação na direção da paz e do bem.

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