Bordado N'Água

45. Inclusivo (I)

September 26, 2019

Então o sino de bronze tocou pela terceira vez. Inseparável  levantou-se,  e do lugar que ocupava no coro da igreja, dirigindo-se à Inclusivo, deu início a um cantochão que lhe interrogava sobre o que deveriam fazer os homens e mulheres para desenvolverem justiça e compaixão uns para com os outros e a tudo que existe. Postando-se de frente para a plateia, Inclusivo entoou sua resposta:

A compaixão nos põe em contato com a intimidade existencial uns dos outros; faz-nos cúmplices nas imperfeições, coloca-nos na perspectiva do mútuo perdão. A compaixão permite-nos (con) viver a vida dos outros. Mas, sobretudo, nos tornaria aptos ao exercício da ternura que aproxima para o encontro de iguais, untando com o bálsamo da presença amorosa incondicional as feridas existenciais. A compaixão seria sobrevivência mútua qualificada.

As lições que informam podem cair no esquecimento. O ambiente de envolvimento é capaz de alimentar o ethos da mudança no coração das pessoas. Envolver não é empurrar pelo temor, mas atrair pela vivência. Quando os esforços de alguém para se transformar naquilo que o outro deveria ser se tornam notáveis é que ele seria capaz de envolver, porque então o outro compreenderia, e talvez desejasse vivenciar esforços parecidos de mudança.

As organizações existem para criar e distribuir riquezas para todas as partes interessadas, mas não podem fazê-lo sobre o sacrifício de valores inegociáveis, sob pena de perderem a condição da perenidade que é seu valor maior. Toda riqueza deveria ser criada de forma sustentável, com garantia da preservação do planeta para as gerações futuras; a sua distribuição deveria ser justa e efetuada à luz de regras negociadas, transparentes e meritórias.

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